As Leis da Estupidez Humana
Adaptação assaz livre do trabalho do Carlo M. Cipolla

Depois de Darwin, sabemos que compartilhamos a mesma origem com outras espécies do reino animal, e que logicamente temos que sofrer quotidianamente adversidades, aflições, infortúnios, mas os humanos além disso temos o desgraçado privilégio de sofrer as tribulações produzidas por pessoas pertecentes ao mesmo gênero humano. 

Este grupo, mais poderoso que a Máfia, a Trilateral ou que o Comitê Olímpico Internacional, não está organizado, não tem cabeça visível, não obstante consegue trabalhar em perfeita sintonia, como se uma mão invisível guiasse a atividade de cada indivíduo, fortalecendo o trabalho do conjunto.

Em seguida trataremos do modo de neutralizar essas forças obscuras que obstaculizam o crescimento do bem-estar e da felicidade humanas.

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Fundação Pieter Stuyvesant
Lorraine Orange
Pirraines - (Principado de Orange)

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1ª L E I  F U N D A M E N T A L 

A PRIMEIRA LEI FUNDAMENTAL da estupidez humana afirma que:

- Sempre e inevitavelmente menosprezamos o número de estúpidos que circulam ao nosso redor.

Esta afirmação pode parecer trivial, mas ...

a) Pessoas que no passado tínhamos considerado inteligentes e razoáveis tornam-se subitamente estúpidas.

b) Tudos os dias, monótona e inexoravelmente, vemos nossas atividades estorvadas por indivíduos estúpidos.

Esta primeira lei demonstra que a proporção de indivíduos estúpidos não pode ter um valor numérico, e é portanto incalculável.



2ª L E I  F U N D A M E N T A L 


A SEGUNDA LEI FUNDAMENTAL demonstra que uma pessoa é estúpida da mesma maneira que outra é loura, e que pertence ao grupo dos estúpidos assim como outra pertence a um determinado grupo sanguíneo.

- A probabilidade de que uma pessoa seja estúpida é independente das outras caraterísticas dessa pessoa.

A mãe Natureza procura manter constante a frequência da estupìdez em todos os grupos sociais. A demonstração de que a educação e o ambiente social nada têm a ver com a probabilidade de ser estúpido foi demonstrada em experimentos realizados nas universidades. Analisados os bedéis, achamos uma alta proporção de estúpidos. 

Como o número de estúpidos foi mais elevado do que esperávamos (Primeira Lei), imputamo-lo a sua origem (famílias humildes) e educação. Mas, analisando grupos mais elevados, verificamos que continuava a mesma percentagem entre os empregados como entre os estudantes ou professores.

Os resultados foram tão impressionantes que acordou-se aplicar as investigações à elite cultural: os prêmios Nobel. 

Os resultados confirmaram uma vez mais os poderes supremos da Naturaleza: uma fração incalculável dos prêmios Nobel são estúpidos.


3ª L E I  F U N D A M E N T A L 

Os homens são animais sociais que movem-se em grupos sociais. Na realidade, todos temos uma "conta corrente" com os demais. 

De qualquer ação ou inação, cada um de nós consegue um ganho ou uma perda, e paralelamente determina um ganho ou uma perda para com os outros.

A TERCEIRA LEI conjetura que os seres humanos enquadram-se em quatro categorias fundamentais:

A) os Tontos,

B) os Inteligentes, 

C) os Bandidos e 

D) os Estúpidos.

A explicação dessas categorias é muito simples:

A) Se Rafael faz uma ação e obtém uma perda, enquanto proporciona um ganho a João, Rafael atua como um TONTO.

B) Se Rafael faz uma ação e obtém um ganho, enquanto também procura um ganho a João, Rafael atua como um INTELIGENTE.

C) Se Rafael faz uma ação e obtém un ganho, produzindo uma perda a João, Rafael atua como um BANDIDO.

A quarta possibilidade, segundo a terceira lei:

- Uma pessoa estúpida é aquela que causa um prejuízo a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que paralelamente tenha nenhum ganho ou benefício, incluindo o custo de obter uma perda para ela mesma.

As nossa vidas estão cheias de eventos. Perdemos dinheiro, tempo, energias, tranquilidades e bom humor por causa das imprevisíveis ações desses individuos absurdos, que nos momentos mais impensáveis nos produzem danos, frustrações, dificuldades, sem obter nenhum proveito das suas ações. 

Ninguem sabe, compreende, nem pode explicar os atos destos individuos. 

A única explicação possível é que trata-se de pessoas estúpidas.

Tendo em conta que os atos duma pessoa estúpida não seguem as regras da racionalidade, vemos que sempre seu ataque surpreendem-nos desprevenidos.

Não podemos prever a atividade e os movimentos erráticos e irracionais dum individuo estúpido. 

Também devemos ter presente que a pessoa inteligente (B) sabe-se inteligente. O bandido (C) é consciente de ser um bandido. O tonto (A) sabe-se carente de toda malícia. Mas o estúpido (D) não sabe que é estúpido. 

O estúpido não tem o sentimento da auto-consciência. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, o estúpido aparecerá improvisadamente para esmagar projetos, estorvar a tranquilidade, complicar a vida e o trabalho, 
fazer perder dinheiro e produtividade, e tudo sem malícia, sem remordimentos e sem razão. Estupidamente.


4ª L E I  F U N D A M E N T A L 

Às vezes tendemos a pensar que podemos reconduzir a uma pessoa estúpida.

Um ato como esse somente pode ter efeitos sinistros, já que proporciona ao estúpido um espaço maior para estender seu talento.

A QUARTA LEI fundamental diz que:

- As pessoas que não são estúpidas, não valorizam devidamente o potencial nocivo das pessoas estúpidas.

5ª L E I  F U N D A M E N T A L 

Muitas pessoas não tiveram em conta a quarta lei, e isso tem sido causa de prejuizos incalculáveis à humanidade. E mais ainda, quando também não tiveram presente a QUINTA LEI fundamental:

- A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.

Para um análise global devemos ter presente que: a ação dum Bandido representa simplesmente uma transferência de riqueza ou bem-estar.  Depois da sua ação, o Bandido terá um "Mais" na sua conta, correspondente ao "Menos" que terá outra pessoa. 

Para a sociedade, a situação não experimenta nenhuma mudança. Se todos os membros duma sociedade forem bandidos, esta permaneceria estancada, mas não pioraria.

Se fizeram suas ações por turnos regulares, a sociedade achar-se-ia num estado de perfeita estabilidade.

Quando os estúpidos trabalham, causando perdas sem obter nenhum benefício para eles mesmos, a sociedade inteira empobrece-se e entra em decadência.

É um erro considerar que nas sociedades decadentes o número de estúpidos é mais elevado. Existe a mesma percentagem. A diferença consiste em que nas sociedades decadentes permite-se aos estúpidos ser mais ativos.

Nas sociedades no auge as pessoas inteligentes procuram ter controlada a proporção incalculável de estúpidos e ao mesmo tempo produzem benefícios para eles mesmos e para os outros integrantes da comunidade, fazendo que a sociedade progrida.

Num pais em decadência, a percentagem de pessoas estúpidas segue sendo incalculável, mas sua influência nota-se mais no resto da população. Especialmente se dentro do poder, crescem os bandidos predispostos à estupidez, e entre os que não tenham quotas de poder produz-se um crescemento alarmante dos tontos. 

Esta mudança na composição da população é um reforço inevitável do número incalculável de estúpidos e conduz o pais diretamente à ruina.

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Transcrição, tradução e adaptação do capítulo do livro "Allegro ma non troppo", do economista e escritor italiano Carlo. M. Cipolla ao pirrainés abrasileirado do Francesc, I Margrave Trimestral de Pirraines, traduzido para o português por Adriana Moura e Lúcio Costa Wright.

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