Conto do padre e do operário Balda

Certa vez um pope ia ao mercado quando encontrou um homem forte chamado Balda, que perguntou a ele: "Padre, onde você vai tão cedo? Você está procurando alguma coisa?"

"Preciso de um operário para ser cozinheiro, cavalariço e carpinteiro ao mesmo tempo por um salário não muito grande." Balda ofereceu sua ajuda: "Posso trabalhar duro para você. Eu não como muito, e o salário é me deixar lhe dar três piparotes na testa no fim do ano".

O pope pensou um pouco e aceitou. Balda era realmente um ótimo trabalhador e todo mundo o elogiava, exceto o padre. Ele ficava pensando sobre os piparotes e não conseguia dormir nem comer. O pope contou a sua mulher sobre o acordo com Balda. Ela era uma mulher astuciosa e disse: "Dê a ele um trabalho além de suas forças. Se ele não conseguir cumprir sua ordem, você não terá que o deixar dar nenhum piparote como salário!".

O pope ficou alegre e disse a Balda: "Balda, os espíritos do mar prometeram me pagar uma taxa, mas poucos apareceram nos últimos três anos. Vá a eles e traga o dinheiro".

Sem dizer uma palavra, Balda foi para o mar, pegou um pedaço de corda e começou a girá-la. Isso deixou os espíritos nervosos. O espírito mais velho saiu da água e perguntou a Balda por que ele os estava perturbando. Balda respondeu que eles haviam prometido pagar uma taxa ao pope, mas por três anos não haviam aparecido.

O espírito mais velho mandou seu neto falar com Balda na beira do mar. O jovem espírito sugeriu: "Vamos apostar uma corrida. Se você terminar em primeiro, levará o dinheiro". Balda concordou: "Certo, mas deixe-me pôr meu irmão mais novo correndo em meu lugar".

Balda foi até a floresta mais próxima, pegou dois coelhos, colocou-os em uma bolsa e voltou para o mar. "Estou pronto. Você, jovem espírito, é fraco demais para conseguir vencer meu irmão. Um, dois, três, vá alcança-lo", disse Balda, e libertou um coelho, que correu desabaladamente para sua floresta. Mas o jovem espírito corria muito depressa e pensou que, certamente, terminaria em primeiro. Ao voltar para a beira do mar, na linha de chegada, encontrou Balda sentado acariciando o coelho. "Meu querido irmão" --dizia Balda--, "você está muito cansado, descanse." O jovem espírito ficou espantado e voltou para seu avô.

"Oh, falta de sorte, fui vencido." Ele sentou-se e pensou como enganar Balda. Mas Balda ficou zangado e novamente girou a corda no mar. O jovem espírito veio falar com ele. Balda disse: "Agora eu vou escolher a tarefa. Olhe, ali há um cavalo deitado. Se você puder erguer o cavalo e levá-lo por meia milha, vocês demônios podem ficar com o dinheiro". O espírito arrastou-se sob o cavalo e tentou erguê-lo, sem sucesso. Então Balda fez o cavalo erguer-se com seu comando para levantar, sentou-se sobre ele e cavalgou uma milha inteira. Novamente venceu a competição.

O espírito correu para seu avô e contou a ele sobre a vitória de Balda. Não havia mais nada a fazer além de colocar o dinheiro na bolsa e entregá-lo ao esperto Balda. Ele voltou para casa e entregou o dinheiro ao pope. Então ele deu três piparotes no ganancioso pope, chutou-o e disse: "Não diminua o que é barato!".

Tradução e adaptação: Paulo M. Rezzutti e Adriana Moura, todos os direitos reservados, proibida reprodução sem autorização.

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